Criticas à arte de Fatima Marques

Vênus - óleo sobre tela - 100 x 100 cm -

Crítica sobre a obra "Vênus"

Por Oscar D’Ambrosio
crítico de arte e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP – Universidade do Estado de São Paulo/Brasil.    

Obra "Vênus" - óleo s/ tela - 100 x 100 cm - ano 2020

      O diálogo entre arte clássica e contemporânea, caracteriza o trabalho de Fatima Marques.

      Na obra "Vênus" (Afrodite na mitologia grega), por exemplo,  encontramos dois símbolos tradicionalmente ligados à deusa do amor: a concha do mar (por ser considerada uma  divindade, Vênus chega à terra numa concha, das ondas do mar) e o colar de pérolas quebrado ( é o indicativo da perda da inocência). Vênus está inserida em um espaço que sugere um universo de planos infinitos, ou seja, está representada de uma perspectiva que valoriza o seu poder alquímico para transformar o mundo. 

      Criativa, extrovertida, irreverente e sensual, Vênus protege os amantes e não avalia as consequências para alcançar seus objetos de desejo.

      Sagaz ao desfrutar da sua beleza e do amor que representa, vence nesse trabalho de Fatima Marques, uma interpretação em que os caminhos de pensar,  as técnicas de sentir e fazer,  caminham em harmonia.

Arte e feminilidade com inspiração poética

Por Emanuel von Lauenstein Massarani
Critico de arte e Presidente do IPH - Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico no Estado de São Paulo

A artista com o Sr. Emanuel L. Massarani

       Existem duas categorias de artistas: aqueles que pintam pelo resultado e com a mente, e outros que pintam vibrando pelo processo criativo e pela paixão do coração aberto a sensações. Ambas as tendências são válidas, mas Fatima Marques faz parte da segunda identidade.


       Suas obras não pedem somente para serem admiradas, mas de serem vivenciadas no âmago de

sua inspiração, guardemo-las, portanto dentro de cada um de nós, que elas vos transmitam força e motivação e que nos reconduzam ao empenho mais determinado da sensibilidade.


       A presença feminina na arte permite reflexões e discussões que, através das obras de Fatima Marques aqui reunidas, são exemplos que indicam arte, mistério e sedução que provém do ser feminino, também imaterial. Símbolo de sonhos e desejos, elas formam uma imagem emanescente

que pode ser alcançada, através do sonho, da esperança e do desejo. Vitorio Sgarbi, conhecido intelectual italiano, costuma se perguntar por que as mulheres são as mais discutidas, as mais consideradas e desejadas dentre todas as manifestações literárias e artísticas do homem. Em sua análise, conclui que os homens poderiam, pelo menos, iluminar o mistério da mulher.


        No caso de Fatima Marques, ela retrata figuras femininas dentro de contextos dos mais

variados na dimensão da criatividade, que vão além da corporalidade, numa ambientação pelo

mundo, retratando cidades históricas e modernas, num contexto que valoriza monumentos, parques

e até mesmo, a calmaria do campo. Trata-se de uma pintora que injeta em suas obras o amor, a dor

e a piedade. Ela é, pois, uma criadora de sentimentos que não esquece de ser antes de tudo, uma artista. Eis porque Fatima Marques revela em suas obras a grandiosidade de sua arte, bela,

detalhada, primorosa e ao mesmo tempo de inspiração marcadamente poética.

        A arte, desde seus primórdios, não se coloca tão somente como uma linguagem útil a comunicar experiências, mas se impõe como uma forma capaz de interagir com as forças naturais ou até mesmo, com o Divino. Isto se evidencia das primeiras representações do corpo humano, como manifestam no tempo as pinturas rupestres. A austera classicidade de algumas figuras femininas de Fatima

Marques se dissolve, sobretudo, numa atitude humana. Naturalmente, o corpo feminino é o meio importante para entrar em contato com a natureza, para recuperar aquele espírito primitivo, que nos consente de viver como seres novos, longe das tentações de uma sociedade viciada.

       Graças a um estilo elegante e a uma técnica pictórica refinada, a artista consegue valorizar

cenas da vida contemporânea. Nessas obras, aproveita para registrar uma sua pessoal interpretação

da realidade de vida cotidiana em várias partes do mundo por onde passou.

  

Narcisse - 2012 - óleo sobre tela - 60 x

Metáforas de Sentimentos

Por Emanuel von Lauenstein Massarani
Critico de arte e Presidente do IPH - Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico no Estado de São Paulo

        Fatima Marques revela em suas obras a grandiosidade de sua arte, bela, detalhada e primorosa e ao mesmo tempo de inspiração marcadamente poética e feminina. Acredito que a artista deixa-se

influenciar tanto pelos pintores renascentistas quanto pelos contemporâneos, embora na busca de

um estilo sofisticado e de técnica apurada.

        A intenção decorativa em sua obra não a impede de limitar seus requintes estéticos, deixando sobressair o calor humano de uma forma viva, espontânea e concisa.


        Na dinâmica de sua composição conjuga-se a síntese da visão subjetiva bem como a disposição das cores captadas ao vivo. Por detrás das cenas que retrata é a luz que separa os vários

componentes, neles concentrando até mesmo uma certa dramaticidade. O lirismo de sua pintura

possui tanto uma estrutura orgânica, quanto depura os meios expressivos.


        Quando elabora paisagens entrecortadas ressalta o contraponto visual, a montagem analógica

e a simultaneidade de movimentos. Os elementos se sobrepõem em vários planos numa sábia combinação entre as linhas horizontais e as curvas até alcançar o ponto de fuga, proporcionando ao tema escolhido uma luminosidade especial. Através de cortes audaciosos e assimétricos, em rica policromia, seus temas são tratados numa dinâmica e estática alternadas, mas de grande 

plasticidade.

 
        A complexa relação entre pintura e realidade é parte fundamental da ideia da própria arte.

Mas não se trata, obviamente, de uma relação que permaneceu constante no tempo; assim como não permanecerá imóvel a capacidade de Fatima Marques de observar e colher tudo o que observa e a circunda.


        O que permaneceu invariável é o conceito de realidade que, na sua mesmo mutável aparência, continua a ser o intrigado complexo de imagens, objetos, situações e pessoas sempre ali prontas para

serem capturadas e transformadas pela artista em metáforas daqueles sentimentos, emoções e

reações que são a causa de seu impulso criativo.

Transformando aparências em essências

Por Oscar D’Ambrosio
crítico de arte e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP – Universidade do Estado de São Paulo/Brasil.    

Demain sera trop tard - 2011

        Uma das fascinações da arte está na sua condição de sempre ser um procedimento. É no

caminhar que se define um criador plástico. Quando cristaliza seu fazer, fenece enquanto intérprete. 

Paradoxalmente, é no momento que consegue apresentar elementos diferenciadores em seu trabalho que se posiciona no mundo.


         Fatima Marques desenvolveu desde o início de sua trajetória sua técnica. Coloca-a em diálogo com alguns assuntos que a motivam e vem, principalmente no início de sua trajetória pictórica, buscando explorar a conversa visual entre a dureza da pedra e a maleabilidade dos tecidos.


        Isso se dá por meio de uma pintura que tem como um de seus mais acentuados elementos a presença de rachaduras na pedra ou na parede e dobras e rasgos. Não se trata, no entanto, de

colagem ou inserção de materiais. A questão debatida é como a pintura pode conseguir esse tipo de efeito.


        Dessa maneira, a grande discussão que se instaura é a do fazer pictórico em si mesmo, num processo que estuda como a arte pode transformar aparências em essências e inquietações internas

em expressões visuais. Esse é o desafio a ser percorrido numa caminhada em que a agonia e o

prazer se mesclam a todo instante.

Técnica com emoção

Por Mali Frota Villas Bôas 

Historiadora, curadora e critica de arte ( in memória)

Fatima Marques com Mali Frota Villas Bôas

Fatima Marques e Mali Villas Bôas - galerista, historiadora e crítica de arte

     Fatima Marques traz em seu trabalho a marca de uma aguda sensibilidade artística, que dá

vida e energia as suas figuras atemporais, numa sábia relação entre o clássico e o contemporâneo.

     É, antes de tudo, uma artista com um domínio natural de técnicas como pouco visto hoje. Seu

trabalho também está intrinsicamente associado ao sentir, na busca de uma linguagem pessoal e de

um eixo temático afinado com sua sensibilidade feminina.

 

      Fatima Marques é uma artista da técnica com emoção.